Fnac 25 Junho 2007
Não percam HOJE, segunda dia 25 de Junho às 21h30 na Fnac do Cascais Shopping. Desta vez já com o CD à venda!
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Dois dedos de conversa

Uma das mais notáveis coincidências da anatomia humana é o facto da maior parte das pessoas ter dez dedos nas mãos. É uma soma que me surpreende sempre que penso em Hound Dog Taylor. Ele tinha uma dúzia, como as caixas dos ovos, de dedos nas mãos. Nem mais nem menos: doze. Diz-se que tentou, a certa altura da vida, cortar o excedente, mas todos sabemos que, especialmente para quem faz dieta ou é ministro das Finanças, é muito difícil cortar o excedente.
Na verdade Hound Dog é um anti-Django. Django Reinhardt tinha oito dedos úteis (ainda assim mais do que os dias duma semana, sejam úteis ou não). E com tão poucos dedos, tornou-se muito mais conhecido e afamado do que o Taylor cheio de dedos. Facto a que são alheios a biologia, a anatomia e outros misticismos. Diz quem sabe apreciar música, que Django era um primor enquanto Hound Dog Taylor não primava pela técnica. Até pode ser, mas soava bem. Foi ele mesmo que o disse: "When I die, they’ll say, ‘He couldn’t play shit, but he sure made it sound good!’"
Grande Gito!

Gito. O homem que me introduziu ao contrabaixo e com quem fui para o Hot Clube de Portugal aprender a dar uns toques na coisa. Aqui estamos nós no dia de formatura à frente do seu carro.
Fica aqui a homenagem, grande Gito.
Concerto no Chiado
The Soaked Lamb agradecem ao Gonçalo as fotos que testemunham o concerto do Chiado. Aqui ficam algumas das preferidas.


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O que o público acha II
Que The Soaked Lamb vão voltar a tocar na FNAC Chiado no próximo sábado às 18:00h.
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A música liberta (Musik Macht Frei)

Orfeu, que tocava muito bem, era capaz de, com a sua lira (que por acaso era de Apolo), libertar um morto (Eurídice) das garras de Hades. E Cristo quando disse “Lázaro, vem cá para fora”, muito provavelmente disse-o a cantar. Toda a gente sabe que a voz de Cristo era divina. Herdou-a do Pai. E uma voz divina funciona até com o mais duro de ouvido.
Mais recentemente, houve um caso concreto em que o poder da música destruiu grilhetas e manifestou o seu poder sobre as pedras e os tijolos: Leadbelly. Este bluesman foi preso algumas vezes. E uma dessas vezes foi libertado graças à música. As paredes de pedra e as grades de ferro, nada podem contra os blues. O sr. Leadbelly cantou e tocou um daqueles cheios de alma, com oito ou doze compassos (tanto faz), pedindo perdão ao governador Neff que, cheio de Dó, o libertou. Ou, pelo menos, assim reza a lenda.
Pequena apresentação
The Soaked Lamb são uns blues feitos em casa, artesanais. O Miguel Lima, que toca bateria, lembrou-se de gravar um CD desses, feitos à mão como as rendas de bilros. Também se lembrou de tocar bateria, tambores e reco-reco, esse instrumento idiófono que funciona graças à fricção dum pauzinho sobre um bocado de bambu (no que concerne ao reco-reco, fomos incapazes de o deter a tempo e parece que aquilo ficou mesmo gravado). O Vasco Condessa ajuntou-se com o ébano e o marfim, preto no branco, e fez-se ouvir um piano. Que às vezes também é um órgão. O Luís Alvoeiro, que é designer nas horas vagas, trouxe o contrabaixo e as respectivas notas que dão o ar grave. A Mariana Lima, irmã de certo baterista já mencionado, canta. E escreve letras muito bonitas em pentâmetros jâmbicos. O Afonso Cruz toca guitarra, harmónica, cavaquinho e banjo. Escreve letras, compõe, descompõe e canta. Às vezes tem barba, outras bigode. O Tiago Albuquerque toca saxofone, clarinete, guitarra e, como se não bastasse, é cunhado dum certo contrabaixista já mencionado. Usa vários tipos de chapéus.
Aos domingos comia-se ensopado de borrego e gravavam-se uns blues ainda com o hálito a cravinho, cominhos e vinho. Facto que evidentemente se nota quando se ouvem as músicas com atenção. Foram consumidos vários litros de cerveja durante as gravações, mas isso não é desculpa para a soberba qualidade do CD (que aliás, ainda não foi distribuído).
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Aos domingos comia-se ensopado de borrego e gravavam-se uns blues ainda com o hálito a cravinho, cominhos e vinho. Facto que evidentemente se nota quando se ouvem as músicas com atenção. Foram consumidos vários litros de cerveja durante as gravações, mas isso não é desculpa para a soberba qualidade do CD (que aliás, ainda não foi distribuído).
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