Próximo:

maxime_9MAI09
+

Entrevista Cotonete

Os portugueses The Soaked Lamb preparam-se para lançar o segundo disco de originais no próximo Outono.
A revelação foi feita pelo compositor e multi-instrumentista Afonso Cruz, em entrevista ao Cotonete.
O sucessor de "Homemade Blues", editado em 2007, deverá sair «em Outubro ou Novembro» e «será um disco menos homemade e com um espectro musical mais alargado».
O músico garante que os Soaked Lamb estão a gravar o segundo disco «com a mesma calma» com que gravaram o primeiro. «Nós não temos tempo para ter pressa, fazemos as músicas como eram feitas há 60 ou 70 anos, com o cuidado de quem faz uma melodia para durar e não um ritmo para trepar os tops», explica. E acrescenta: «compomos com uma lentidão que não é nada moderna».
Apesar de reconhecer que «muito do espírito dos Soaked Lamb é inspirado na música americana da primeira metade do século XX», Afonso Cruz sublinha: «evidentemente não somos imunes ao que se passa à nossa volta, à contemporaneidade, mas preferimos tocar sentados».
Segundo o músico, a banda não pensa muito em fronteiras: «as raízes americanas interessam-nos porque, essencialmente, não têm fronteiras». «Cada vez mais, e isso é um traço de modernidade, o mundo é partilhado entre todos: há bandas japonesas a tocar rockabilly e bandas ganesas a tocar bossa nova. Quando palestinianos tocarem klezmer e israelitas música sufi, poderemos ter esperança», diz.
A música dos Soaked Lamb já entrou num anúncio do molho de tomate Guloso e integrou a banda sonora do filme "Arte de Roubar", ao lado de nomes como os Dead Combo e The Legendary Tiger Man. E genericamente, o disco de estreia «tem sido muito bem recebido, as críticas foram sempre bastante boas», no entanto, Afonso acredita que a participação no anúncio publicitário não lhes trouxe «uma notoriedade especial».
Os Soaked Lamb tocam esta sexta-feira no Centro de Artes do Espectáculo de Portalegre e, no sábado, na Galeria do Desassossego, em Beja. Ambos os espectáculos começam às 11 da noite. Afonso Cruz descreveu-nos um concerto típico da banda: «os concertos passam-se sentados, o público e nós. Tocamos a cores, mas soa a preto e branco. Todos usamos chapéu, mas já houve um elemento que tocou, contra todas as regras, de sandálias».
Pode consultar a agenda de concertos no MySpace na banda, onde pode também ver o vídeo do anúncio e de algumas prestações ao vivo.
HG c/ MMB


Uma entrevista muito bem entrevistada, muito bem contextualizada: aqui.
Obrigado à Cotonete, um bálsamo para os ouvidos. Mesmo para os mais duros.
+

Espectacular digressão pelo País real

dig
Estive a tocar, nos dois últimos fins-de-semana, em Coimbra, Leiria, Beja e Portalegre. Gostei muito, essencialmente daquele senhor que dizia para tocarmos aquela. Também havia, em Leiria, uma groupie com a camisa aberta e o peito ao léu. Estou a brincar, era um homem.
A banda deu várias entrevistas, todas muito bem dadas, repletas de bom senso e criteriosa auto-análise. Aliás, se não fosse a banda a responder desse modo tão pertinaz, os músicos que a compõem ter-se-iam limitado a respostas medíocres, como vem sendo hábito. Emocionei-me quando um entrevistador se sentiu comovido com uma letra minha, "A Coffin for Two". Contive as lágrimas, mas deixei que os violinos continuassem a soar. Quando o segundo violino se enganou escandalosamente, tocando um arpejo em Mi diminuto sobre um Ré maior, é que percebi que era tudo produto da minha cabeça. E depois, com os olhos ainda marejados, olhei para o Gito (o contrabaixista) e notei que, também ele, tinha um nó na garganta. Era a gravata.
Em Portalegre, o palco fica muito próximo da casa de banho o que é bom para o pianista, que é o que tem mais urgência de urinol. Eu também costumo ir todas as semanas.
Em Coimbra tocámos num salão de carisma onde o meu pai, quando eu ainda não era nascido (que saudades que eu tenho desses tempos), jogava bilhar: o Salão Brazil. A cerveja, que tem aquela tendência mórbida de se deixar morrer mal se vê fechada dentro dum copo, esteve sempre fresca. A mesa de snooker precisava duma pequena afinação. Enfim, não foi a única coisa desafinada nessa noite. Lembro-me, com algum carinho, dum Si bemol que deixei escapar sem querer. Felizmente não cheira. De resto, toquei sempre evitando citar Merleau-Ponty no banjo, mas não pude conter um ou outro som menos positivista. Assim, convém notar duas coisas: A primeira é que, do nosso lado, pudemos corroborar o facto de não existir separação entre sujeito e objecto, exactamente como enuncia a fenomenologia mais ortodoxa, mesmo quando está sóbria. A segunda é que do lado do público ninguém se despiu, por isso seria pretensão nossa qualquer alusão à união sujeito/objecto (gravemente reprovada pela Igreja).
Em Beja alguém gritou encore mas nós, infelizmente, não temos músicas francesas no repertório.
Fizemos bastantes quilómetros e foi um pouco cansativo. Comprovámos, nestas viagens, que Lisboa fica demasiado longe de Portugal. E que em Leiria há um homem que rapa os pêlos do peito.
+

Próximos: Coimbra, Leiria, Portalegre e Beja

Abril2009
+

5 linhas, 4 espaços

> Entrevista com a banda

O 5 Linhas, 4 espaços é uma rubrica do programa E2, da Escola Superior de Comunicação Social. Surge do amor à música de um grupo de amigas e colegas, e com muito trabalho da nossa equipa técnica, chega aos vossos ecrãs quinzenalmente nas madrugadas de quinta para sexta, à 1h, na :2. Tem como objectivo mostrar bandas desconhecidas à maioria do público, umas com mais experiência que outras mas com algo em comum: o amor à música.
+

De volta ao Casino de Lisboa

CartazCasino2009
+
"Arte de Roubar", o último filme de Leonel Vieira - www.artederoubar.com - é uma comédia negra de acção, que conta com Ivo Canelas, Nicolau Breyner, Soraia Chaves e quatro músicas que foram roubadas, com a devida autorização, ao nosso CD "Homemade Blues".

artederoubar
+

THE SOAKED LAMB EM ESTUDIO-NOVO DISCO PARA O ANO





The Soaked Lamb começaram em Novembro a gravar o novo Disco.
+

Próximas apostas:

Casino2.2
+

Próximo:

FabricaSet_2008
+

Próximos: uma semana no Casino

Cartaz
+

Próximo:

Maxime
+

Momento crítico #13

«A tomada de decisão não foi pacífica. Um concerto a começar às 23:30 no meio da semana é algo que requer alguma força de vontade, mesmo sendo à borlix. No entanto, bastou chegar a casa e ouvir algumas das músicas do álbum Homemade Blues para rapidamente decidir que me faria novamente aos carris, rumando ao Casino Lisboa, para assistir à actuação dos The Soaked Lamb. O mais que posso dizer é que valeu todo o minutinho de sono perdido. Pois é, belo som que têm os The Soaked Lamb! É só fechar os olhos e num instante estamos num club de New Orleans, na América louca dos anos 30, ou enfiados num soturno bar de Chicago rodeados de gangsters. Bem na realidade, nem foi preciso fechar os olhos, pois os rapazes e a menina fazem questão de se apresentar com indumentária perfeitamente enquadrada com a música que tocam. Só a envolvente do Arena Lounge destoava, mas tudo bem, a cavalo dado não se olha o dente. O som também não esteve perfeito, longe disso, mas dada a acústica do espaço penso que era difícil fazer melhor. Depois há sempre aquele ruído de fundo, inerente ao funcionamento de um casino. Mesmo assim, deu perfeitamente para desfrutar da beleza dos temas, assim como aferir a qualidade dos músicos. Neste aspecto os The Soaked Lamb brilham como um todo. É certo que se destaca a voz, e a esbelta figura, da Mariana Lima, mas não lhe ficam atrás os restantes músicos. Miguel Lima (bateria), Vasco Condessa (teclas) e Luís Alvoeiro aka Gito (contrabaixo) fornecem a base do edifício musical do grupo. Afonso Cruz e Tiago Albuquerque, formam a dupla de alas, que entre si rodam um impressionante set de instrumentos, como banjo, clarinete, saxofone, ukelele, harmónica, e eu sei lá mais o quê, para além das habituais guitarras. Engraçado também o tema em que a Mariana canta através de um megafone que emula na perfeição a sonoridade das antigas grafonolas.

Resumindo: muito bom.

Para aqueles que não foram, e que gostam deste tipo de sonoridade, tipicamente americana, não percam uma próxima oportunidade porque believe me, they’ve got the blues.

PS - Depois deste concerto, acalento agora a ideia de os rever em condições, para mim, ideais: num pequeno bar, ou quanto muito no Santiago Alquimista, enquanto se escacilha uma caixa de cigarrilhas e se manda abaixo uma garrafa de Bushmills. Isso é que era!»

A Praceta
+