Hats & Chairs

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Caixas e mais caixas. O novo CD, Hats & Chairs, já está pronto. No final de Março estará nas lojas, sentado, de chapéu e, se tudo correr bem, confortavelmente longe dos tops.
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Primeiro disco à venda na Amazon

E com uma crítica cinco estrelas.
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Desenhados pela Carla


The Soaked Lamb, no Maxime, por Carla Guedes Pinto.
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Momento Crítico #18

«A matriz musical dos The Soaked Lamb encontra-se entre o blues e o jazz dos anos 30 e 40, respectivamente, ou seja, uma delícia sonora. Banda formada por Mariana Lima (voz), Afonso Cruz (guitarra, ukulele, blues harp, banjo), Gito (duplo baixo), Vasco Condessa (piano, órgão), Tiago Albuquerque (sax alto, guitarra, clarinete) e Miguel Lima (bateria, percussão). Ao vivo, a cores e em tons de blues, a música é tocada num ritmo próprio, peculiar, quente, apaixonante e lento que nos leva de para um cenário de pradaria bem ao estilo musical americano da primeira metade do século XX. O disco de estreia, "Homemade Blues", editado em 2007, foi gravado em casa, aos domingos. Os The Soaked Lamb são uma banda de pormenores, começando pela indumentária apresentada por todos os músicos, sobressaindo a presença muito feminina da vocalista Mariana Lima, em quem recai inevitavelmente as atenções, para além disso a loja Geraldine, ajudou a recriar o ambiente ideal para a prestação, em tons quentes, dos The Soaked Lamb, não esqueçamos, ainda, a carismática presença assídua da ovelha “Luisinha” nos espectáculos da banda. Saliente-se, ainda, alguns momentos curiosos nas músicas dos The Soaked Lamb que nos proporcionam, ora através de um piano ou de um contrabaixo, ora de um acordeão ou de uma bateria, alterações de ritmo interessantes, que surgem como que de imprevisto, fazendo com que os instrumentos ganhem vida própria. A música tocada pelos The Soaked Lamb é para ser apreciada tal qual um filme que se vai revelando aos nossos olhos, sem interrupções ou acessórios que nos retirem a atenção, a música em tons de blues é tocada num ritmo próprio, lento, e que nos deixa facilmente inebriados pela sonoridade do contrabaixo ou de um saxofone, e que nos obriga a pensar que às vezes esquecemo-nos de apreciar os sons desta forma, sem pressas, sem avanços nem recuos, simplesmente ouvir e deixar-nos levar. A banda prepara-se para editar o seu segundo trabalho de longa duração que será um disco menos homemade e com um espectro musical mais alargado.»

(Crítica encontrada no blog Under Review)
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Uma dúzia de dedos


 Uma das mais notáveis coincidências da anatomia humana é o facto da maior parte das pessoas ter dez dedos nas mãos. É uma soma que me surpreende sempre que penso em Hound Dog Taylor. Ele tinha uma dúzia, como as caixas dos ovos, de dedos nas mãos. Diz-se que tentou, a certa altura da vida, cortar o excedente, mas todos sabemos que, especialmente para quem faz dieta ou é ministro das Finanças, é muito difícil cortar o excedente.
 Na verdade Hound Dog é um anti-Django. Django Reinhardt tinha oito dedos úteis. E, com tão poucos dígitos, era um virtuoso, característica que Hound Dog Taylor evitava. Diz quem sabe apreciar música, que Django era um primor enquanto Hound Dog Taylor não primava pela técnica. Até pode ser, mas soava bem. Foi ele mesmo que o disse: "When I die, they’ll say, ‘He couldn’t play shit, but he sure made it sound good!’"
Theodore Roosevelt "Hound Dog" Taylor nasceu em 1915 (há quem diga que foi em 1917) e morreu em 1975. O nome presidencial é apenas mais uma tragédia que pode acontecer na dramática vida de um bluesmen.

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Esperamos cumprir



Em Agosto, na revista Blitz, podia ler-se um artigo titulado "15 Promessas da Música Portuguesa que Estão a Dar que Falar". Uma dessas 15 promessas eram os The Soaked Lamb.
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Momento Crítico #17

No jornal I de 24 de Setembro de 2009, António Pires (num artigo sobre os Nobody's Bizness) escreveu que The Soaked Lamb são um grupo que "parte da nascente dos blues e depois os leva para o céu".
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O novo disco

Só estará disponível em Fevereiro de 2010, em vez do anunciado Novembro de 2009. Não são meses de atraso, são meses de melhoramentos.
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Momento Crítico #16

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Momento Crítico #15

«Desta receita, por sua vez, escorre uma pitada de contrabaixo, um saxofone, um pedal steel guitar, um belíssimo piano e uma quente e inebriante voz feminina, e bem feminina!

Do alto de um gramofone ao fundo da sala, ambiente vintage a preto e branco desenha-se o mundo de The soaked Lamb.

A matriz musical encontra-se entre o blues e o jazz dos anos 30 e 40, respectivamente, ou seja, uma delícia sonora.»

Mais aqui.
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Concertos

Avante2009_1

Trama, 4 de Setembro, 22.30h.
Theatro Bar, 5 de Setembro, 23.30h.
Festa do Avante!, 6 de Setembro, 16h.
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Screaming Jay Hawkins

Screaming Jay Hawkins era um daqueles pugilistas que queria cantar ópera. O mundo do boxe está cheio de casos destes. Não é raro entrar num ginásio (para nos inscrevermos, não para nos entregarmos a exercícios físicos), chamar boxeur a alguém (no bom sentido) e ouvir: Sou um cantor de ópera, isto é provisório. Quantas vezes se ouve, nos ringues, entre dois assaltos, desabafos sentidos: "eu devia era ser cantor lírico". E que prazer dá vê-los retomar o combate com mais falsete no uppercut e um pequeno Puccini no jogo de pernas.
Voltemos a Screaming Jay Hawkins. Com o insucesso desta incursão pelo mundo da ópera, virou-se para o vudu e para os lamentos em pentâmetros jâmbicos e os doze (ou oito, sejamos complacentes com os números) compassos, ou seja, os blues. Fez muito bem. Isso e filhos. Fez cerca de setenta e cinco filhos a várias mulheres. Há rumores que afirmam ser um número menor, que Screaming Jay Hawkins não teve mais de cinquenta e poucos rebentos. São pessoas que querem descredibilizar os blues. É por isso que ninguém vai aos estádios.
Voltemos a Screaming Jay Hawkins. Era um homem que gostava de se apresentar vestido de leopardo, com ossos a atravessarem-lhe o nariz. Ficou muito conhecido com “I Put a Spell on You” e com aquela música cujo tema é a prisão de ventre e o trânsito intestinal, chamada Constipation Blues (actuava com uma retrete no palco. Não estou a brincar). E também tinha esta particularidade a ter em conta: fazia, com as suas imensas cordas vocais, um ruído bizarro – perdoe-me o estrangeirismo, mas não encontro o portuguesismo necessário –, que era como um porco na matança, mas na nota certa.
Como não existem lendas vivas dos blues que não tenham morrido já, Screaming Jay Hawkins deu-se por falecido no ano 2000. Cerca de setenta anos depois de ter nascido.

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Howlin' Wolf

Howlin' Wolf, cujo verdadeiro nome era Chester Burnett, tinha quase dois metros, pesava perto de dezasseis toneladas – para ser preciso, cerca de 140 quilos em jejum – e, disse alguém, tinha voz de maquinaria pesada. Com aquela voz era perfeitamente possível lavrar os inúmeros hectares do meu terreno (três, para ser exacto) em menos de uma manhã. Já pensei em virar para lá a aparelhagem, para ver o que acontece, mas tenho medo de derrubar as oliveiras.
Howlin' Wolf nasceu em White Station, Mississippi, e aprendeu a tocar harmónica com Sonny Boy Williamson II (não vou falar deste bluesman para não me emocionar demais). A mãe deserdou-o por um motivo tão banal no mundo dos blues que me custa escrevê-lo: por tocar a música do Diabo. E assim, aos treze anos, Chester Burnett viu-se obrigado a fugir de casa. Esta história poderia ter resultado na criação de um país na cauda da Europa mas, felizmente, acabou bem, com discos gravados e tudo.
Howlin' Wolf tinha preferência por fatos pretos que ficavam lindamente com a gravidade da voz. Este pequeno maneirismo do seu carácter devia-se a, um dia, ter visto uma imagem de Blind Lemon Jefferson assim vestido. O fato era preto porque, nessa altura, as fotografias reproduziam fielmente o mundo a preto e branco daquelas pessoas.
Dizem que Howlin' Wolf morreu – como se eu não o tivesse visto o mês passado na paragem do 28 para Moscavide – em 1976. Foi Howlin' Wolf que, juntamente com Blind Willie Johnson, inventou a voz do Tom Waits. Nunca vi ninguém dar-lhe o crédito por isso.



No video acima, o leitor atento terá reparado que o contrabaixista se semelha, com exactidão metafísica, a Willie Dixon. O motivo de tal prodígio é que é mesmo Willie Dixon (haveremos, num futuro próximo, de falar deste boxeur). Por agora, ouça Blind Willie Johnson:

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