Música sedutora, portanto

A ler em Vai Uma Gasosa?
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Somos muito parecidos com os nossos avós

Entrevista para o jornal Destak:

Falem-me um pouco do vosso percurso de 2006 até agora.

Começámos ao contrário do que seria suposto. Primeiro nasceu um disco e este é que deu origem à banda. Chamou-se “Homemade Blues” ao disco, por ter sido gravado em casa, calmamente e aos Domingos, ao longo de um ano, e “The Soaked Lamb” à banda, como homenagem aos almoços de ensopado de borrego que se faziam nesses dias de gravações. Depois desse disco editado, foi necessário tocá-lo ao vivo. Foi assim que os primeiros ensaios surgiram, bem como os concertos um pouco por todo o País. Este segundo registo “Hats & Chairs”, que editamos agora, é fruto desses ensaios, desses concertos, e da convivência enquanto banda. Foi gravado em estúdio, apesar de também ser “homemade” no sentido em que foi todo feito por nós. É composto só de originais, ao contrário do primeiro, em que metade dos temas eram versões. E tem mais instrumentos. Muito mais instrumentos. As gravações tiveram a mesma lentidão que as anteriores, mas sem o ensopado de borrego para o almoço. Perdeu-se na qualidade das refeições, mas ganhou-se em qualidade de som.

O vosso som parece mesmo enraizado em referências antigas, podem referir algumas?

As raízes são realmente antigas, e vão tão fundo quanto as décadas de 20 e 30 do século passado. Mas alguns ramos mais afoitos, e até algumas folhas, são quase verdes. A música que nos interessa mais, a que ouvimos em casa, é aquela feita no período anterior à década de cinquenta e da massificação da indústria musical. Em que a forma de composição dos blues é um pouco mais complexa, pensada em função da canção como um todo e não dos executantes ou solistas. Mas também não recusamos o que se passou depois disso, e pomos na nossa música muita coisa posterior a essa época. As nossas influências são muitas, variadas, e algumas ainda nem sequer ganharam muito pó.

Há também algo de Tom Waits e Nick Cave na forma do Afonso cantar, não é?

Julgamos que os dois só tocam sentados, quando estão ao piano. E quase nunca os vemos de chapéu. Também desconhecemos se algum dos dois se importa com a comparação. A nós, não nos incomoda nada. Gostamos muito do Tom Waits e, nesse sentido, vemos o paralelismo como um grande elogio. A verdade é que o Afonso não tenta imitar ninguém. A forma como canta é apenas o registo em que se sente mais confortável. E ele nem sequer é a voz principal da banda. Essa é feminina e é da Mariana Lima. Ele só canta em 2 temas do novo disco, num total de 13.

Há uma arte em fazer musica moderna a soar a antiga?

A música foi gravada com material novo, e com as melhores condições de captação a que tivemos acesso. Nesse sentido, não somos nada revivalistas ou puristas. Não queremos gravar as nossas músicas como eram gravadas há setenta ou oitenta anos. A melhor qualidade de som disponível é a que nos interessa. E essa é mesmo a parte mais moderna na nossa música. Se falarmos na parte da composição, aí já existe uma preocupação grande em fazer uma melodia que perdure no tempo e não uma canção para vender e chegar aos tops. E nesse aspecto, não somos mesmo nada modernos, e somos muito mais parecidos com os nossos avós.

Qual o papel dos chapéus nos Soaked Lamb?

Têm um papel fundamental, não deixando fugir as ideias nem os cabelos. Mas são tão importantes quanto as cadeiras. Nós gostamos de detalhes e damos muita atenção a todos os pormenores. Na música, no grafismo dos discos e cartazes, nas roupas que usamos em palco. Os chapéus e as cadeiras fazem parte dessa preocupação estética, que começa na composição da música e não acaba mais.

São todos multi-instrumentistas, ao vivo trocam de instrumentos?

Os multi-instrumentistas são apenas dois. O Afonso e o Tiago. Entre os dois, tocam mais de 10 instrumentos (Guitarra, Banjo, Ukulele, Harmónica, Trompete, Saxofone, Clarinete, Lap Steel Guitar, Concertina, etc.). Mas não os trocam. Pelo menos ao vivo. Apesar de uma vez já terem trocado de chapéu.

Falem-me das colaborações e de como surgiram?

Os convidados aparecem em alguns temas do disco. São amigos que admiramos também como músicos, e que conseguimos enganar sem eles darem por isso. Enfiámos-lhes um chapéu. As músicas em que participam, ganharam uma dimensão que não tinham só com os 6 membros da banda. Os temas não seriam muito diferentes sem eles, é certo. Mas seriam com certeza mais pobres. São eles: Nuno Reis (Funk Off And Fly; Mercado Negro; Cool Hipnoise), Pedro Gonçalves e Tó Trips (Dead Combo), Jorge Fortunato (49 Special). O disco foi ainda misturado e masterizado por Branko Neskov.

Com o disco lançado, a digressão que o suporta será extensa? Que datas têm marcadas?

A digressão irá de norte a sul do País. Teve inicio no dia 31 de Março e já fizemos 4 concertos. Serão 17 concertos no total. Os eventos mais importantes serão: Coimbra (Salão Brasil) no dia 10; Porto (Armazém do Chá) no dia 16; Guimarães (C.C.Vila Flor) no dia 17; Loulé (Bafo de Baco) no dia 24; e para terminar, vamos tocar no Musicbox, em Lisboa, no dia 30 de Abril. Estamos a organizar uma pequena digressão pela Europa, mas será mais para o Verão.
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Boa Nova

Entrevista para o programa "Cá se fazem ca se tocam", de Pedro Oliveira (rádio Boa Nova).

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A Trompa

Uma entrevista "depois do surpreendente Homemade Blues". A ler aqui.
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Momento Crítico #22

"Glamour e elegancia no enquadramento de um belo disco.
Cheira a animação primaveril!" - *****

(Fenther)
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Momento Crítico #21

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Momento Crítico #20

"Blues , Swing, Jazz e até um cheirinho a valsa fazem do segundo disco dos portugueses The Soaked Lamb um dos álbuns do ano. o tema "Blue Voodoo" explica quase tudo." in Correio da Manhã de 3 de Abril de 2010.
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Momento Crítico #19

Hoje, no Jornal de Negócios, Manuel Falcão deu a sua opinião sobre o nosso novo disco:
"OUVIR
- É uma delícia ouvir um disco feito por bons músicos pelo prazer de tocar boa música - a descrição aplica-se que nem uma luva a Hats And Chairs, dos Soaked Lamb, uma banda portuguesa que revisita os sons do vaudeville norte-americano, com referências claras ao blues e a New Orleans. Destaque para Mariana Lima, a vocalista e saxofonista que contribui para que este seja um dos discos portugueses dos últimos tempos que mais gozo me deu."
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Esta é a capa do CD Hats & Chairs:

E estas são interpretações de vários ilustradores:

André Letria



Alex Gozblau



Afonso Cruz



Carla Cabral



Carlos Guerreiro



Fernando Martins



Gito



Jorge Margarido



Luís Alvoeiro



Mariana Lima Balas



Osvaldo Medina



Pedro Vieira




Rui Vitorino Santos



Tiago Albuquerque
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Hats & Chairs

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caixas2

Caixas e mais caixas. O novo CD, Hats & Chairs, já está pronto. No final de Março estará nas lojas, sentado, de chapéu e, se tudo correr bem, confortavelmente longe dos tops.
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Primeiro disco à venda na Amazon

E com uma crítica cinco estrelas.
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Desenhados pela Carla


The Soaked Lamb, no Maxime, por Carla Guedes Pinto.
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Momento Crítico #18

«A matriz musical dos The Soaked Lamb encontra-se entre o blues e o jazz dos anos 30 e 40, respectivamente, ou seja, uma delícia sonora. Banda formada por Mariana Lima (voz), Afonso Cruz (guitarra, ukulele, blues harp, banjo), Gito (duplo baixo), Vasco Condessa (piano, órgão), Tiago Albuquerque (sax alto, guitarra, clarinete) e Miguel Lima (bateria, percussão). Ao vivo, a cores e em tons de blues, a música é tocada num ritmo próprio, peculiar, quente, apaixonante e lento que nos leva de para um cenário de pradaria bem ao estilo musical americano da primeira metade do século XX. O disco de estreia, "Homemade Blues", editado em 2007, foi gravado em casa, aos domingos. Os The Soaked Lamb são uma banda de pormenores, começando pela indumentária apresentada por todos os músicos, sobressaindo a presença muito feminina da vocalista Mariana Lima, em quem recai inevitavelmente as atenções, para além disso a loja Geraldine, ajudou a recriar o ambiente ideal para a prestação, em tons quentes, dos The Soaked Lamb, não esqueçamos, ainda, a carismática presença assídua da ovelha “Luisinha” nos espectáculos da banda. Saliente-se, ainda, alguns momentos curiosos nas músicas dos The Soaked Lamb que nos proporcionam, ora através de um piano ou de um contrabaixo, ora de um acordeão ou de uma bateria, alterações de ritmo interessantes, que surgem como que de imprevisto, fazendo com que os instrumentos ganhem vida própria. A música tocada pelos The Soaked Lamb é para ser apreciada tal qual um filme que se vai revelando aos nossos olhos, sem interrupções ou acessórios que nos retirem a atenção, a música em tons de blues é tocada num ritmo próprio, lento, e que nos deixa facilmente inebriados pela sonoridade do contrabaixo ou de um saxofone, e que nos obriga a pensar que às vezes esquecemo-nos de apreciar os sons desta forma, sem pressas, sem avanços nem recuos, simplesmente ouvir e deixar-nos levar. A banda prepara-se para editar o seu segundo trabalho de longa duração que será um disco menos homemade e com um espectro musical mais alargado.»

(Crítica encontrada no blog Under Review)
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