sábado, 3 de maio de 2008

Momento crítico #13

«A tomada de decisão não foi pacífica. Um concerto a começar às 23:30 no meio da semana é algo que requer alguma força de vontade, mesmo sendo à borlix. No entanto, bastou chegar a casa e ouvir algumas das músicas do álbum Homemade Blues para rapidamente decidir que me faria novamente aos carris, rumando ao Casino Lisboa, para assistir à actuação dos The Soaked Lamb. O mais que posso dizer é que valeu todo o minutinho de sono perdido. Pois é, belo som que têm os The Soaked Lamb! É só fechar os olhos e num instante estamos num club de New Orleans, na América louca dos anos 30, ou enfiados num soturno bar de Chicago rodeados de gangsters. Bem na realidade, nem foi preciso fechar os olhos, pois os rapazes e a menina fazem questão de se apresentar com indumentária perfeitamente enquadrada com a música que tocam. Só a envolvente do Arena Lounge destoava, mas tudo bem, a cavalo dado não se olha o dente. O som também não esteve perfeito, longe disso, mas dada a acústica do espaço penso que era difícil fazer melhor. Depois há sempre aquele ruído de fundo, inerente ao funcionamento de um casino. Mesmo assim, deu perfeitamente para desfrutar da beleza dos temas, assim como aferir a qualidade dos músicos. Neste aspecto os The Soaked Lamb brilham como um todo. É certo que se destaca a voz, e a esbelta figura, da Mariana Lima, mas não lhe ficam atrás os restantes músicos. Miguel Lima (bateria), Vasco Condessa (teclas) e Luís Alvoeiro aka Gito (contrabaixo) fornecem a base do edifício musical do grupo. Afonso Cruz e Tiago Albuquerque, formam a dupla de alas, que entre si rodam um impressionante set de instrumentos, como banjo, clarinete, saxofone, ukelele, harmónica, e eu sei lá mais o quê, para além das habituais guitarras. Engraçado também o tema em que a Mariana canta através de um megafone que emula na perfeição a sonoridade das antigas grafonolas.

Resumindo: muito bom.

Para aqueles que não foram, e que gostam deste tipo de sonoridade, tipicamente americana, não percam uma próxima oportunidade porque believe me, they’ve got the blues.

PS - Depois deste concerto, acalento agora a ideia de os rever em condições, para mim, ideais: num pequeno bar, ou quanto muito no Santiago Alquimista, enquanto se escacilha uma caixa de cigarrilhas e se manda abaixo uma garrafa de Bushmills. Isso é que era!»

A Praceta

1 comentários:

L.A. disse...

Luís Alvoeiro aka Gito é muito bom.
Nem sabem como fico contente, passado mais de um ano de ter saído da banda, de ver o meu nome "escarrapachado" assim ao lado do do Gito. Infelizmente não é verdade, às vezes gostava masmo de ser o aka Gito, mas não sou. O Gito é o (também ;-) Luís, Lima, aka Gito. Eu, o Luís Alvoeiro, passei a deliciar-me anonimamente no publico em que a, única, vantagem é estar com uma cervejinha na mão a bater o pé descontraído porque não tenho as horas acomuladas de ensaios e não vou ter que carregar o equipamento depois do concerto terminado.
LA

14 de dezembro de 2008 às 22:42